13 de setembro de 2023

Demência: Redução de risco e desafios para um futuro mais saudável

O Mês Mundial de Alzheimer de 2023 trouxe consigo um tema impactante: “Nunca é muito cedo, nunca é muito tarde”. Esta campanha internacional visa chamar a atenção para os fatores de risco associados à demência e a importância da redução de risco, tanto na prevenção quanto no suporte às pessoas já diagnosticadas com essa condição. Com a previsão de que o número de pessoas vivendo com demência triplique até 2050, é crucial compreender os fatores de risco e tomar medidas proativas para mitigá-los.

A demência não deve ser encarada como parte do envelhecimento normal. O Mês Mundial da Doença de Alzheimer, celebrado em setembro, é uma oportunidade global para aumentar a conscientização sobre a demência e combater o estigma associado a essa condição. Associações de Alzheimer e demência em todo o mundo se unem para promover ações de defesa, informações, Caminhadas da Memória e arrecadação de recursos financeiros.

A importância do apoio familiar

Um aspecto crucial da abordagem à demência é a preparação e o apoio das pessoas diagnosticadas e de suas famílias. Quando bem-preparadas e apoiadas, essas famílias podem enfrentar a condição com mais segurança e empoderamento. No entanto, em muitas partes do mundo, o acesso ao diagnóstico e ao suporte pós-diagnóstico ainda é insuficiente.

Os Planos Nacionais de Demência surgem como uma estratégia eficaz para governos lidarem com o desafio crescente da demência. Apenas cerca de 50 países têm esses planos em vigor, e um número ainda menor de governos implementou campanhas nacionais de conscientização até o momento.

O Alzheimer no mundo

As estatísticas em torno da demência são alarmantes. Com mais de 55 milhões de pessoas no mundo vivendo com essa condição e alguém desenvolvendo demência a cada 3 segundos, a projeção é que até 2050 esse número chegue a 153 milhões. No Brasil e na América Latina, espera-se um aumento de 200% nos casos de demência de 2019 a 2050. E, de maneira preocupante, estima-se que mais de 70% das pessoas idosas com demência no Brasil não foram diagnosticadas.

A demência não afeta apenas os indivíduos e suas famílias, mas também impõe um fardo econômico significativo, estimado em 1,3 trilhão de dólares anualmente, que deve mais do que dobrar até 2030. É urgente desafiar a percepção errônea de que a demência é parte do envelhecimento normal, uma vez que cerca de 62% dos profissionais de saúde ainda acreditam nisso.

Ações governamentais de conscientização

Os governos têm um papel fundamental a desempenhar na abordagem à demência. Cumprir as metas do Plano de Ação Global sobre Demência da Organização Mundial da Saúde (OMS) é essencial, e a sensibilização é uma das principais áreas de ação. Além disso, é fundamental que os governos adotem políticas que reduzam as desigualdades sociais e econômicas, que desempenham um papel importante nos fatores de risco da demência.

A redução de risco da demência deve ser um esforço ao longo da vida, incluindo medidas como redução do consumo de álcool, abandono do tabagismo, exames auditivos regulares, prevenção de lesões na cabeça, acesso à educação, nutrição adequada, exercícios físicos e promoção do sono saudável. Além disso, intervenções regionais específicas, considerando diferenças socioeconômicas e regionais, são cruciais para a prevenção eficaz da demência.

Os cuidados com pessoas diagnosticadas com demência também são vitais. Além de tratamentos médicos, é importante oferecer suporte social, atividades apropriadas e pausas para cuidadores. Um estudo epidemiológico realizado no Brasil, apontou um risco de 54% nas regiões mais pobres (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) e 49% nas regiões mais ricas (Sudeste e Sul) e que alguns fatores como baixa escolaridade, hipertensão e perda auditiva desempenham um papel significativo na prevalência da demência, tornando esses pontos alvos prioritários para políticas públicas. 

Em última análise, enfrentar o desafio da demência exige uma abordagem holística, envolvendo governos, profissionais de saúde, cuidadores e a sociedade como um todo. Nunca é cedo demais para tomar medidas preventivas e nunca é tarde para oferecer apoio e compreensão às pessoas afetadas por essa condição. O Mês Mundial de Alzheimer de 2023 nos lembra de que a demência é uma questão global que requer atenção imediata e ação coordenada.